A comunicação eletrônica tem grandes impactos ambientais
“Não utilize papel, poupe árvores e ajude a salvar o planeta” ou “Escolha opções digitais e proteja o meio ambiente” são mensagens comuns de organizações que buscam incentivar seus clientes a mudar para transações e comunicações eletrônicas. Mas esses apelos são baseados em fatos?
Esse tipo de mensagem dá a impressão de que a comunicação eletrônica é mais amigável ao meio ambiente do que a comunicação impressa. No entanto, é difícil fazer essa afirmação sem considerar o ciclo de vida completo desses diferentes meios. O fato é que a comunicação eletrônica tem uma enorme pegada ambiental que não costuma ser considerada.
Como discutido ao longo deste livreto, o papel é um produto que se destaca por ser renovável, reciclável e biodegradável. Sua principal matéria-prima, a madeira, é obtida de árvores cultivadas e colhidas de forma cuidadosamente controlada e sustentável. As áreas cultivadas para celulose, no Brasil, somam apenas 3,6 milhões de hectares (menos de 1,5% das áreas usadas pela agricultura e pecuária) (4).
“O setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) foi responsável pelo consumo de 4% a 6% da eletricidade global em 2020, representando mais de 2% das emissões globais de gases de efeito estufa.” UK Parliament, Energy Consumption of ICT, 2022.
É muito comum que os impactos das mídias digitais sejam ignorados. Em consequência, muitos consumidores acreditam que a comunicação eletrônica é sempre melhor para o meio ambiente do que a comunicação impressa.
A “nuvem” armazena quase tudo o que fazemos online, incluindo nossas pesquisas na web, postagens nas redes sociais, e-mails e streaming. Esses mega data centers consomem grande quantidade de energia, na maioria das vezes produzida a partir de combustíveis fósseis.
O problema do lixo eletrônico também é colossal e crescente. Em 2022, foram produzidas 62 milhões de toneladas de lixo eletrônico em todo o mundo, das quais apenas 22,3% foram recicladas. A previsão é que essa taxa de reciclagem caia para 20% até 2030, devido ao fato de que as atividades de reciclagem não acompanham o crescimento global do lixo eletrônico. O descarte e o tratamento inadequados desses resíduos representam riscos significativos para o meio ambiente e para a saúde humana (18).
A maior parte das matérias-primas dos equipamentos digitais, servidores e geradores de energia não são renováveis. Em muitos casos, são elementos raros na natureza e notoriamente difíceis de reciclar.
Após a abordagem de Two Sides, mais de 1.150 grandes organizações do mundo já removeram mensagens enganosas dizendo que as comunicações digitais são melhores para o meio ambiente.

Fonte
4. https://www.iba.org/dados-estatisticos
18. https://news.un.org/pt/story/2024/03/1829466
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