RESPONSÁVEL: Equipe Two Sides Brasil 29/08/2024
No período mais crítico da pandemia, em 2021, era raro encontrar caixas de papelão nas calçadas. Para os catadores, foi o ápice de preços do papel nos últimos anos; até R$ 2 o quilo. O valor se mantinha alto em razão da demanda das indústrias para a produção de embalagens, necessárias ao intenso fluxo de entregas, já que grande parte da população ficava em casa. Desde 2022, entretanto, os preços despencaram.
“No início deste ano, o preço do papelão estava dramático [R$ 0,15/kg] e hoje estão pagando R$ 0,40, em média”, afirma Anderson Nassif, diretor da Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (Ancat), que reúne 467 organizações de catadores e aos quais distribuiu R$ 415 milhões entre 2017 a 2023, oriundos da venda de 661 mil toneladas de material.
A causa apontada pelo mercado para a queda no valor das aparas de papel é o uso crescente pela indústria da matéria-prima virgem, mais barata em razão da grande produção de celulose nacional. A ligeira recuperação no valor, por outro lado, está ligada às enchentes no Rio Grande do Sul, que obrigaram os sucateiros gaúchos a interromper a coleta de material.
Representantes da indústria papeleira alegam não ter dados sobre a quantidade de papel produzido a partir de celulose virgem ou reciclada. José Carlos da Fonseca Jr., presidente-executivo da Associação Brasileira de Embalagens em Papel (Empapel) e diretor de relações internacionais da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), associação que representa o setor de florestas plantadas para a produção de papel, informa que em 2022 foram coletadas 5,2 milhões de toneladas de aparas, alcançando o índice de reciclagem de 69,9%. “A composição do preço da apara de papel é um fenômeno de mercado e certos produtos exigem 100% de matéria-prima virgem”, diz.
Fabio Mortara, presidente da ONG Two Sides, ligada aos produtores de papel, destaca que no Brasil e em toda a América Latina, a fibra virgem de celulose é obtida exclusivamente a partir de árvores cultivadas para essa finalidade. “Trata-se, portanto, de matéria-prima de origem totalmente renovável”, afirma.
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